quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Invernos




I

Hoje o sol não apareceu
Talvez ele tenha os seus motivos
Para preferir ficar escondido.
Eu também, às vezes,
Gostaria de não aparecer,
Ficar quieto, escondido,
De tudo e de todos.
Eu gosto desses dias cinzentos
Onde parece que a poesia pulsa
Em cada folha agitada
Pelo vento gelado.
Tudo é nostalgia no inverno,
Nada é mais romântico
Do que o inverno.


II

Inverno no corpo e na alma.
Não consigo proteger
Meu coração
Dos rigores de tua indiferença.
Tua pele alva como a neve,
Onde estará agora?
Tão longe e ao mesmo tempo
Tão perto...
Tão distante e tão presente...
Olho para os horizontes distantes
Vales, antes verdes, agora brancos
De neves e borrascas.
Rezo por ti...
Por nós...
E pelo amor que eu sinto...


Escrevi "Invernos" em 2006, inspirado em uma manhã de julho, num dia que a geada era gigante. até mesmo as árvores estavam brancas de gelo. procurei fazer um comparativo entre o inverno estação e o inverno da alma, dos sentimentos não correspondidos. Usei minha imaginação para dar a meu poema um clima europeu, nevascas, neve acumulada.


"Invernos" tem dois lados, o literal e o abstrato, depende muito da imaginação da pessoa que o ler.

Um comentário:

  1. É meu amigo, eu poderia dizer que pior seria se fosse um inverno permanente 365 dias do ano. De dias cinzas, sem a luz do sol, sem o brilho nos olhos , lagrimas congeladas como os sentimentos trazidos no peito.
    *é mais ou menos por ai........

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