Continuando nossa saga de reflexões sobre a alma humana e suas mazelas, gostaria de falar hoje sobre a gratidão. Sim, há muitas coisas boas que ainda não falamos sobre a humanidade. Normalmente abordamos o lado negativo por que é o mais comum e é o que se sobressai.Mas o homem tem virtudes louváveis tambem e, uma delas é a gratidão. Não aquela gratidão falsa que vemos comumente e que e mais de aparência do que de sentimento verdadeiro. mas sim, aquela gratidão que sentimos pelas coisas mais simples, mais pequenas e aparentemente de menor importância que alguem faz e nem sempre espera uma recompensa tão grande.
Vou relatar agora um fato que ocorreu comigo no ano de 2010, quando prestava serviço para o IBGE e, que me tocou de uma maneira tão intensa que até hoje me emociono ao lembrar.
Como disse, eu prestava serviço no censo 2010 e fui convidado a trabalhar na cidade de Candiota. Peguei uma região distante da zona urbana, um lugar ermo e sem recursos. Precisava sair da cidade de madrugada e só voltava tarde da noite. Para fazer o dia ser mais proveitoso e o serviço render mais, eu pulava a refeições e trabalhava até a exaustão.
Um dia, bem no final da tarde resolvi que faria apenas mais uma entrevista e encerraria a jornada. O sol já havia se posto e eu estava a uns 50 km da cidade. Cheguei a uma residência num assentamento do MST, muito, mas muito humilde. Fui recebido por um velhinho que morava com seu filho único ainda adolescente.
Ele começou a me falar de seus problemas: A esposa havia falecido de câncer há poucos meses, o menino tinha sérios problemas de saúde e precisava de uma cirurgia muito em breve e ele, enxergava muito pouco. Estavam a beira da penúria e a situação em que viviam era muito dificil. Poucas pessoas teriam coragem de lutar contra tantas adversidades e ainda mais com um sorriso no rosto. mas ele, demonstrava uma grande perseverança e nenhum rancor.
Terminado o meu serviço, veio a parte mais importante da história. Ao me despedir, contei para ele que era de outra cidade e que tinha sido voluntário pra trabalhar no municipio dele. Como de praxe, agradeci a entrevista e ele me disse: "_Sou eu que te agradeço por ter vindo 'nos contar'. Já estava preocupado pois não tinha aparecido ninguem até agora!"
Saí dali com uma lição tão grande de humildade e gratidão que me senti minusculo diante da magnitude do momento. Eu, me considerando tão sem importância, tinha feito algo tão expressivo (mesmo que tenha sido involuntariamente) para alguem de alma tão grande. Passou meu cansaço, passou minha fome e voltei para a cidade com tamanha felicidade por meu trabalho ter sido importante para alguem.
Nesse momento tambem me senti grato a Deus por ter me dado uma oportunidade tão imensa...
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